|
5-HT |
5-Hidroxitriptamina |
|
|
5-HTTLPR |
Região de polimorfismo ligado ao
transportador de serotonina |
|
|
AB |
Blink Atencional |
|
|
AB5C |
Circumplex abreviado do Big Five |
|
|
ACC |
Córtex Cingulado Anterior |
|
|
ACTH |
Hormônio Adrenocorticotrófico |
|
|
ADHD |
Transtorno do Déficit de Atenção e
Hiperatividade |
|
|
AIM |
Modelo de Infusão do Afeto |
|
|
ALLO |
Alopregnanolona |
|
|
aMCC |
Córtex Mediculado Anterior |
|
|
AMT |
Teste Autobiográfico de Memória |
|
|
ANKK1 |
Gene
codificador das enzimas PKK2 |
|
|
ASD |
Transtorno do Espectro do Autismo |
|
|
AVP |
Arginina Vasopressina |
|
|
AX-CPT |
Variante da Tarefa de Desempenho
Contínuo |
|
|
BA |
Ativação Comportamental |
|
|
BAS |
Sistema de Abordagem Comportamental |
|
|
BDI |
Inventário de Depressão de Beck |
|
|
BiNOS |
Visão Binocular |
|
|
BIS |
Sistema de Inibição Comportamental |
|
|
BOLD fMRI |
Imagem de Ressonância Magnética
Funcional Dependente do Nível de Oxigênio |
|
|
BPD |
Transtorno da Personalidade Limítrofe |
|
|
CAH |
Hiperplasia Adrenal Congênita |
|
|
CBM |
Modificação do Viés Cognitivo |
|
|
CBT |
Terapia Cognitivo-Comportamental |
|
|
CI |
Entrevista de Catástrofe |
|
|
CLASS |
Sistema de Pontuação de Avaliação em
Sala de Aula |
|
|
COMT |
Catecol-O-Metriltransferase |
|
|
CPM |
Modelo de Processo de Componentes |
|
|
CPT |
Terapia de Processamento Cognitivo |
|
|
CRH |
Hormônio Liberador da Corticotrofina |
|
|
CS |
Estímulo Originalmente Neutro |
|
|
D2R |
Receptor D2 de Dopamina |
|
|
DA |
Dopamina |
|
|
D-AMPH |
Dextroanfetamina |
|
|
DAT |
Transportador de Dopamina |
|
|
DDP |
Psicoterapia Diática do
Desenvolvimento |
|
|
DHEA |
Di-hidroepinandrosterona |
|
|
DHT |
Di-hidrotestosterona |
|
|
DIBT |
Terapia Comportamental Dialética |
|
|
DLPFC |
Estimulação Elétrica do Córtex
Pré-frontal Dorsolateral |
|
|
DNA |
Ácido Desoxirribonucléico |
|
|
DRD2 |
Gene responsável pela codificação do
receptor de dopamina DZR |
|
|
DSM-IV |
|
|
|
DZ |
Receptores de Dopamina |
|
|
ECI |
Inventário de Competências Emocionais |
|
|
EEG |
Eletroencefalograma |
|
|
EF |
Função Executiva |
|
|
EFT |
Técnica de Liberdade Emocional |
|
|
EI |
Inteligência Emocional |
|
|
EMG |
Eletromiografia Facial/Resposta
Eletromiogáfica |
|
|
EPN |
Negatividade Posterior Precoce |
|
|
ERN |
Negatividade Relacionada ao Erro |
|
|
ERP |
Potencial Relacionado a Eventos |
|
|
ES |
Avaliação Separada |
|
|
FAAH |
Amida Hidroxilase de Ácido Graxo |
|
|
FAE |
Erro de Atribuição Fundamental |
|
|
FCM |
Modelo de Correção Flexível |
|
|
FFFS |
Sistema de Congelamento de Luta-voo |
|
|
FFS |
Sistema de Luta-voo |
|
|
fMRI |
Imagem de Ressonância Magnética
Funcional |
|
|
FPS |
Estratégias Psicológicas
Personalizadas |
|
|
FSH |
Hormônio Folículo-estimulante |
|
|
GABA |
Ácido Gama-aminobutírico |
|
|
GAD |
Transtorno de Ansiedade Generalizada |
|
|
GC |
Glicocorticoide |
|
|
GnRH |
Gonadotrofinas |
|
|
GPA |
Grade de Notas Médias |
|
|
GR |
Receptor de Glicocorticóide |
|
|
GS |
Estímulos de Generalização |
|
|
HPA |
Eixo hipotálamo-pituitária-adrenais |
|
|
HPG |
Eixo hipotálamo-hipófise-gonadal |
|
|
IAPS |
Sistema Internacional de Imagens
Afetivas |
|
|
IQ |
Quociente de Inteligência |
|
|
JA |
Avaliação Conjunta |
|
|
JDM |
Julgamento da Tomada de Decisão |
|
|
LCPP |
Processamento Perceptual
do Cliente |
|
|
LH |
Hormônio Luteinizante |
|
|
LPP |
Potencial
Positivo Tardio |
|
|
LTP |
Potencialização de Longo Prazo |
|
|
MBSR |
Redução de Estresse Baseada em Atenção
Plena |
|
|
MDD |
|
|
|
MPH |
Metilfenidato |
|
|
MPQ |
Questionário Multidimensional de Personalidade |
|
|
MR |
Receptor Mineralocorticóide |
|
|
MRI |
Ressonância Magnética |
|
|
MSCEIT |
Teste de Inteligência Emocional
Mayer–Salovey–Caruso |
|
|
NAcc |
Nucleus Accumbens |
|
|
N-BACK |
Tarefa de Desempenho Contínuo |
|
|
NE |
Norepinefrina |
|
|
NEO |
Inventário de Personalidade Revisado |
|
|
NPY |
Neuropeptídeo Y |
|
|
OCD |
|
|
|
OFC |
Córtex Orbitofrontal |
|
|
OT |
Oxitocina |
|
|
P |
Progesterona |
|
|
PASAT |
Teste de Audição Serial Auditiva com
Rítmo |
|
|
PCL-R |
Lista de Verificação de Psicopatias de
Hare |
|
|
PD |
Doença de Parkinson |
|
|
PD |
|
|
|
PES |
Prazer Subjetivo Esperado |
|
|
PET |
Tomografia por Emissão de Fótons |
|
|
PFC |
Córtex Pré-frontal |
|
|
PRF |
Formulário de Pesquisa de
Personalidade |
|
|
PSP |
Potenciais Pós-sinápticos |
|
|
PSWQ |
Questionário de Preocupação da Penn
State University |
|
|
PTCI |
|
|
|
PTSD |
Transtorno de Estresse Pós-Traumático |
|
|
PTSD |
Transtorno do Estresse Pós-traumático |
|
|
PVN |
Núcleo Paraventricular |
|
|
QUad |
Modelo de Processo Quádruplo |
|
|
REM |
Movimento Rápido dos Olhos |
|
|
RFCBT |
Terapia Comportamental Focada na
Ruminação |
|
|
RNT |
Pensamento Negativo Repetitivo |
|
|
RSQ |
Questionário de Estilos de Resposta |
|
|
RST |
Teoria de Sensibilidade de Reforço |
|
|
RST |
Teste do Tempo de Reação Simples |
|
|
RSVP |
Apresentação Visual Serial Rápida |
|
|
RT |
Pensamento Repetitivo |
|
|
RULER |
Abordagem para Aprendizagem Emocional
Social |
|
|
SAD |
|
|
|
SAI |
|
|
|
SCL-90 |
Lista de
Verificação de Sintomas-90 |
|
|
SEL |
Abordagem Emocional Social |
|
|
SIB |
Comportamento Auto Lesivo |
|
|
SNP |
Polimorfismo de nucleotídeo único |
|
|
SNS |
Sistema Nervoso Simpático |
|
|
SOA |
|
|
|
SON |
Núcleo Supra-óptico |
|
|
SPECT |
Tomografia Computadorizada de Emissão
de Fóton Único |
|
|
SWS |
Sono de Ondas Lentas |
|
|
T |
Testosterona |
|
|
TEA |
|
|
|
TMS |
Estimulação Magnética Transcraniana
Repetitiva |
|
|
US |
Evento Aversivo |
|
|
UTR |
Região não codante de molécula de mRNA |
|
|
VAL158COMT |
Polimorfismo do gene COMT e ADHD |
|
|
VCA |
Entrada Dopaminérgica dos Neurônios |
|
|
VNTR |
Tandem de Número Variável |
|
|
VS |
Porção Ventral do Estriado |
|
|
VTA |
Área Tegmental Ventral |
|
|
WAIS |
Escala Wechsler de Inteligência para
Adultos |
CAPÍTULO 2
Abordagens neurogenéticas. Percepções de
estudos de sinalização de dopamina e processamento de recompensa
Yuliya S. Nikolova, Ryan
Bogdan e Ahmad R. Hariri
Um
corpo substancial de pesquisa experimental em psicologia e neurociência tem se
concentrado em descobrir os mecanismos implícitos aos fenômenos comportamentais
universais entre os indivíduos. No entanto, o comportamento humano é
caracterizado por uma diversidade notável. A variabilidade interindividual
existe em quase todos os domínios do funcionamento psicológico, variando da
percepção e cognição ao processamento afetivo e comportamento social. É
importante ressaltar que algumas dessas diferenças individuais podem servir
como preditores de vulnerabilidade a transtornos neuropsiquiátricos, como
depressão, ansiedade e dependência. Compreender os fundamentos biológicos dessa
variabilidade pode, portanto, nos ajudar não apenas a compreender melhor as
complexidades do comportamento humano, mas também a identificar indivíduos que
podem ser suscetíveis a doenças mentais.
Avanços recentes na neurociência social,
cognitiva e afetiva começaram a lançar luz sobre a base biológica do
comportamento humano, produzindo insights particularmente notáveis sobre os substratos neurais da cognição, emoção e suas interações (Dolan, 2002; Gray, Braver, e Raichle,
2002; Phelps, 2006). Baseando-se principalmente na pesquisa da anatomia
funcional de circuitos neurais que sustentam fenômenos análogos em modelos animais não
humanos, esse progresso também tem sido criticamente dependente da sofisticação
crescente de metodologias capazes de medir a atividade no cérebro humano vivo.
As técnicas de neuroimagem que produzem medidas indiretas (ex., tomografia por
emissão de pósitrons de glicose [PET]; imagem de ressonância magnética
funcional dependente do nível de oxigênio no sangue [BOLD fMRI]) e medidas
diretas (ex., eletroencefalografia [EEG]) de atividade dentro e entre as
regiões do cérebro ajudaram a delinear os papéis para estruturas cerebrais
específicas e padrões de atividade na geração de cognição, emoção e suas
interações (ex., Dolan, 2002). Para obter mais informações sobre as bases
biológicas desses fenômenos, os campos da neuropsicofarmacologia, da
psiquiatria biológica, da imagem molecular e, mais recentemente, da genética,
tentaram identificar a neuroquímica que regula os circuitos neurais
comportamentais relevantes.
Nesse contexto, vários estudos recentes
começaram a vincular a função do neurotransmissor a padrões complexos de
ativação do cérebro e, subsequentemente, ao comportamento, usando imagens de
PET de ligante e/ou paradigmas de desafio farmacológico ao lado de ressonância
magnética tradicional e medidas comportamentais (Bigos et al., 2008; Fisher et
al., 2009; Kim et al., 2011; Santesso et al., 2009). Complementando esses
estudos de neurociência multimodal, o campo relativamente novo da genética de
imagens começou a examinar como a variabilidade gerada geneticamente na ação do
neurotransmissor mapeia as diferenças individuais na função, estrutura e
comportamento do cérebro (Bigos e Weinberger, 2010; Egan et al., 2001; Hariri
et al., 2002, 2009; Meyer-Lindenberg, 2010). Ao fornecer insights sem
precedentes sobre as origens dessa vasta variabilidade interindividual, o
advento da genética por imagem promoveu oportunidades únicas de progresso na
neurociência do comportamento humano (Hariri, 2009).
Características neurais e comportamentais, ou
fenótipos, relativos à cognição, emoção e suas interações rapidamente se
tornaram um assunto de estudo preferido na pesquisa de genética por imagens
devido à compreensão cada vez mais detalhada de seus neuro circuitos implícitos
(Haber e Knutson, 2010; LeDoux , 2000), bem como a herdabilidade demonstrada de
(1) transtornos de emoção e cognição (ex., depressão: Kendler, Myers, Maes, e
Keyes, 2011; esquizofrenia: McGuffin, Farmer, Gottesman, Murray, e Reveley,
1984) , e (2) variabilidade de faixa normal em aspectos emocionais e cognitivos
do comportamento (ex., capacidade hedônica e estresse percebido: Bogdan e
Pizzagalli, 2009; declínio cognitivo relacionado à idade: McGue e Christensen, 2001),
que pode subsequentemente, serem mapeados em diferenças individuais no
funcionamento dos circuitos neurais ou na distribuição de variantes genéticas.
Em vez de apresentar uma visão geral
exaustiva da pesquisa sobre a base neural e genética da emoção, cognição e suas
interações, este capítulo tem como objetivo revisar os princípios básicos da
pesquisa de genética de imagens no que se refere a um comportamento específico,
que exemplifica aspectos importantes da integração adaptativa de emoção e
cognição. O capítulo concentra-se no processamento de recompensas - um fenômeno
comportamental e neural em que as informações sobre o valor apetitivo dos
estímulos em um ambiente são coletadas, armazenadas e utilizadas para promover
a sobrevivência e o bem-estar. Este fenômeno particular foi escolhido não
apenas por causa do conhecimento cada vez mais sofisticado da anatomia e
fisiologia de seus substratos neurobiológicos, mas também por causa de sua
ampla relevância para a compreensão de aspectos adaptativos e não adaptativos
do comportamento: diferenças individuais no processamento de recompensas no
nível do cérebro tem sido ligado à variabilidade interindividual de faixa
normal em construções de personalidade, como impulsividade e sensibilidade de
recompensa (Forbes et al., 2009; Hariri et al., 2006), bem como a extremos
desadaptativos de comportamento, tais como transtornos por uso de substâncias
(Petry e Casarella, 1999) e depressão (Steele, Kumar, e Ebmeier, 2007).
Base
biológica do processamento de recompensa
O processamento de recompensa é subsidiado
por um circuito mesocorticostriatal distribuído que compreende uma rede de
regiões do cérebro individualmente implicadas em uma série de funções afetivas
e cognitivas (Lawrence, Sahakian, e Robbins, 1998; Marchand e Yurgelun-Todd,
2010), cujos sinais são dinamicamente integrados em respostas comportamentais
adaptativas de acordo com as contingências de recompensa ambiental. Esta rede é
regulada de forma crítica pelo neurotransmissor dopamina. Neurônios dopaminérgicos
que residem na área tegmental ventral (VTA) dentro do mesencéfalo enviam
projeções axonais para a porção ventral do estriado (VS), que recebe entrada
adicional das regiões corticais e límbicas e serve como um centro para este
circuito distribuído (Figura 2.1). De relevância particular para o tópico em
questão, o VS também compreende o nucleus accumbens (NAcc) - uma região
neural que a pesquisa com animais não humanos tem implicado em vários aspectos
do processamento de recompensa, variando de reações hedônicas centrais à
motivação para buscar estímulos apetitivos (Berridge, Robinson, e Aldridge,
2009). Devido à resolução limitada da imagem humana in vivo, poucos
estudos de genética de imagem investigaram a neuroanatomia e a neurofisiologia
do NAcc diretamente, com a maioria deles focando nas propriedades estruturais e
funcionais do VS de forma mais ampla (Forbes et al., 2009; Salvadore et al.,
2009).
A pesquisa sobre a base neural do
processamento de recompensa tem frequentemente focado no VS, em grande parte
devido à sua extensa conectividade, que o coloca em uma posição para integrar
continuamente uma variedade de entradas convergentes no sistema
mesocorticoestriatal a fim de dinamicamente ajustar de forma adaptativa as
respostas comportamentais complexas de acordo com as contingências ambientais
em mudança (Figura 2.1). Além da entrada dopaminérgica dos neurônios - VTA, o
VS recebe projeções glutamatérgicas do córtex pré-renal ventromedial (PFC). É
importante ressaltar que essas regiões corticais límbicas fazem interface com
mais regiões regulatórias do PFC dorsal que suportam funções cognitivas de
ordem superior necessárias para o comportamento direcionado a um objetivo
(Balleine e Dickinson, 1998; Miller, 2000), fornecendo assim uma conexão
indireta entre essas regiões. Notavelmente, no entanto, essas áreas corticais
também recebem projeções dopaminérgicas diretas do VTA (Bjorklund e Dunnett,
2007), fornecendo um substrato anatômico para o envolvimento direto da dopamina
no controle cognitivo, entre outros processos, como discutido posteriormente
neste capítulo.
Evidências recentes sugerem que o
processamento de recompensa não é um fenômeno monolítico, mas pode ser
analisado em subcomponentes psicológicos, neuroanatômicos e neuroquímicos
distintos, como “querer” (antecipatório), “gostar” (consumatório) e
“aprendizagem” (previsão) (Berridge et al., 2009). As reações hedônicas
centrais ou de “gosto” têm sido principalmente associadas à sinalização de
opioides dentro de uma sub-região do NAcc (o escudo do NAcc). A dopamina, em
contraste, demonstrou desempenhar um papel principal na mediação do “querer” e
“aprender”, regulando a atividade em outros subcomponentes do NAcc (o núcleo do
NAcc) e regiões interconectadas do sistema mesocorticostriatal estendido. Dada
a relativa incapacidade das metodologias de pesquisa atualmente disponíveis
para analisar completamente esses componentes biológicos e comportamentais do
processamento de recompensa em humanos, bem como o grande corpo de pesquisas
que investigam o papel da dopamina na regulação da reatividade do VS,
aprendizado de recompensa e processamento de recompensa em geral, este capítulo
enfoca a função reguladora da dopamina na reatividade do sistema
mesocorticoestriatal e quaisquer aspectos do processamento de recompensa que
isso possa afetar.
FIGURA 2.1. Representação esquemática dos principais nós
e caminhos dentro do sistema de recompensa do cérebro humano.
Caud: caudado; dlPFC: córtex pré-frontal dorsolateral; Motor: córtex motor; mPFC: córtex pré-frontal medial; PUT: Putâmen; SN: substanctia nigra; VP: pálido ventral; VS: estriado ventral; VTA: área tegmental ventral.
Dopamina
e recompensa
A dopamina é um neurotransmissor envolvido em
uma variedade de funções, desde a lactação e o movimento até a regulação de
aspectos cruciais da emoção e da cognição. De particular relevância para o
tópico deste capítulo, dentro do sistema mesocorticostriatal, a dopamina atua
como um mediador dos processos relacionados à recompensa. Estudos têm
demonstrado a existência de dois tipos de atividade dopaminérgica de particular
importância para esse papel regulador: tônica e fásica. A atividade tônica
refere-se a um disparo de “fundo” constante e lento de neurônios
dopaminérgicos, ao passo que a fásica se refere às explosões rápidas de
potenciais de ação que ocorrem em resposta a eventos ambientais específicos
(Grace, 1991).
Os primeiros estudos ligando a dopamina à
recompensa em modelos animais não humanos não discriminaram entre a atividade
tônica e fásica e observaram que tanto as recompensas naturais quanto as drogas
resultam em um pico de dopamina no NAcc (Hernandez e Hoebel, 1988). Por outro
lado, o bloqueio farmacológico da dopamina mostrou resultar em diminuição do
comportamento de busca de recompensa (Yokel e Wise, 1975). Estudos mais
recentes começaram a pintar um quadro mais complexo do envolvimento deste
neurotransmissor no processamento de recompensa, demonstrando que a liberação
de dopamina não é meramente uma correlação do consumo de recompensa ou busca de
recompensa, mas pode estar envolvida na codificação de informações complexas
sobre os estímulos apetitivos em seu ambiente. Esta pesquisa demonstrou que
picos na atividade dopaminérgica fásica em neurônios VTA ocorrem em resposta a
recompensas inesperadamente altas, enquanto, inversamente, uma queda na
atividade fásica ocorre em resposta a recompensas inesperadamente baixas ou a
ausência de recompensa (Schultz, 2002). Além disso, à medida que a aprendizagem
baseada em recompensa progride, essas respostas fásicas passam da própria
recompensa para o estímulo que prevê a recompensa (Schultz, 2002). Esta
transição, associada à modulação adaptativa da atividade dopamina fásica em
resposta a mudanças nas contingências de recompensa (ou seja, recompensas
inesperadamente altas/baixas), sugere que a dopamina pode estar especificamente
envolvida na aprendizagem de recompensa e antecipação, além de recompensa a
responsividade de forma mais geral.
Dopamina e controle cognitivo
Além
de regular aspectos importantes da responsividade à recompensa e do impulso
motivacional básico, a dopamina mesocorticostriatal também desempenha um papel
central na mediação de processos neurais relativos ao controle cognitivo do
comportamento. A evidência inicial para este efeito modulador vem de
observações de déficits cognitivos compartilhados entre pacientes com vários
distúrbios de sinalização de dopamina, mais notavelmente doença de Parkinson
(PD) e esquizofrenia (ver Nieoullon, 2002, para uma revisão). Apesar das
diferenças notáveis na sintomatologia
geral, ambos os transtornos estão associados à diminuição da memória de
trabalho e da função executiva, bem como à diminuição da flexibilidade mental
em face das mudanças nas demandas ambientais. Fornecendo um suporte ainda mais
direto para o envolvimento da dopamina PFC na função cognitiva, estudos
mostraram que a depleção de dopamina no PFC de macacos leva a uma redução
dramática no desempenho da tarefa de memória de trabalho (Brozoski, Brown, Rosvold,
e Goldman, 1979), enquanto um aumento induzido farmacologicamente na
sinalização de dopamina pré-frontal resulta em flexibilidade cognitiva
melhorada em animais não humanos normais e com depleção de dopamina (Arnsten,
Cai, Murphy, e Goldman-Rakic, 1994; Tunbridge, Bannerman, Sharp, e Harrison,
2004). Resultados semelhantes foram obtidos em humanos neurologicamente
saudáveis, nos quais os agentes farmacológicos que aumentam a transmissão
pré-frontal da dopamina por meio de diversos mecanismos levam a melhorias na
função cognitiva (Apud et al., 2007; Kimberg e D'Esposito, 2003; Luciana,
Depue, Arbisi, e Leon, 1992), corroborando ainda mais o envolvimento da
dopamina pré-frontal no controle cognitivo e na cognição de forma mais ampla.
É
importante notar, entretanto, que o papel regulador da dopamina na função do
PFC e nos processos de controle cognitivo de cima para baixo não é
completamente independente de seu papel na regulação dos impulsos emocionais
básicos. Na verdade, pode haver uma relação inversa entre a sinalização da
dopamina no PFC e as regiões subcorticais responsáveis por
esses impulsos mais básicos.
Especificamente, modelos teóricos
apoiados por extenso trabalho empírico sugerem que um aumento geral de
dopamina no PFC pode aumentar os níveis tônicos de disparo de neurônios dopaminérgicos subcorticamente
e aumentar as concentrações sinápticas de base de dopamina em regiões como.
Esses níveis aumentados de dopamina tônica intrassimpática podem, por sua vez,
aumentar o limiar necessário para produzir picos fásicos na atividade
dopaminérgica (Bilder, Volavka, Lachman e Grace, 2004). Por outro lado, a
redução da atividade da dopamina no PFC pode resultar em um aumento reativo na
sinalização de dopamina fásica subcortical. À luz desta conexão recíproca entre
os níveis de dopamina no PFC e a sinalização dopaminérgica fásica em regiões
subcorticais, os déficits cognitivos e comportamentais associados a
anormalidades de sinalização de dopamina podem refletir disfunção nas regiões
pré-frontal e estriatal, incluindo o VS (Cools, 2008). Assim, em virtude de seu
papel na regulação da reatividade do sistema mesocorticoestriatal, a dopamina
está envolvida na modulação não apenas das vias de impulso emocional de baixo
para cima e dos processos de controle cognitivo de cima para baixo, mas também
do equilíbrio dinâmico entre os dois. Apesar da interconexão dessas vias de
cima para baixo e de baixo para cima, polimorfismos genéticos (ou seja,
variantes genéticas de ocorrência comum), que afetam diferencialmente a
sinalização da dopamina no PFC e no VS, permitiram uma dissociação pelo menos
parcial entre os conjuntos de processos que cada via media. Antes de revisarmos
esses polimorfismos em profundidade, consideramos as principais etapas
envolvidas na sinalização e no metabolismo da dopamina.
Sinalização
e metabolismo da dopamina
Dentro
do sistema mesocorticostriatal, a dopamina é sintetizada em neurônios VTA a
partir do aminoácido L-tirosina (Figura 2.2). Em seguida, é empacotado em
vesículas e liberado na fenda sináptica, onde atua nos receptores
pós-sinápticos localizados nos neurônios estriados ou interneurônios
regulatórios, bem como nos autorreceptores dopaminérgicos pré-sinápticos. Após
sua liberação na fenda sináptica, a dopamina está sujeita a recaptação em
neurônios pré-sinápticos (principalmente no VS; Lewis et al., 2001) ou
degradação enzimática extra-sináptica (principalmente no PFC; Chen et al.,
2004). Polimorfismos funcionais dentro dos genes envolvidos na regulação de
cada etapa individual da síntese de dopamina, sinalização e depuração sináptica
podem ser mapeados na variabilidade individual na reatividade do sistema
mesocorticostriatal e no processamento de recompensa no nível comportamental.
Variantes genéticas associadas com sinalização de dopamina relativamente
aumentada, seja por meio da inativação pós-liberação diminuída ou inibição
diminuída, geralmente têm sido associadas com aumento da reatividade do corpo
estriado e, na maioria dos casos, aumento de comportamentos relacionados à
recompensa (Forbes et al., 2009). Este capítulo examina vários polimorfismos
genéticos funcionais comumente estudados que afetam a sinalização da dopamina e
discute seus efeitos na função e no comportamento do cérebro. Assim, ele
apresenta várias vias biológicas através das quais a sinalização da dopamina
pode ser regulada geneticamente para cima e demonstra os efeitos notavelmente
convergentes que essas vias diversas têm na reatividade do sistema de
recompensa e, em última análise, no comportamento relacionado à recompensa.
FIGURA 2.2. Representação esquemática de uma sinapse dopaminérgica.
Os itens marcados
com um asterisco (*) são discutidos no capítulo. COMT:
catecol-O-metiltransferase; D1, D2, D3, D4: receptores de dopamina; D2L:
isoforma longa do receptor D2 da dopamina (pós-sináptica); D2S: isoforma
curta do receptor D2 da dopamina (pré-sináptica); DAT: transportador de
dopamina; HVA: ácido homovanílico; MAOA: monoamina oxidase A.
COMT Val158Met (rs4680)
A enzima catecol-O-metiltransferase (COMT)
catalisa a degradação da dopamina e é expressa principalmente no PFC, com
níveis de expressão muito mais baixos no estriado (Chen et al., 2004; Gogos et
al., 1998; Huotari et al., 2002). Variantes genéticas associadas à expressão
reduzida de COMT estariam presumivelmente associadas a uma inativação de
dopamina menos eficiente e a um aumento geral na sinalização de dopamina nas
regiões cerebrais que expressam COMT.
Um polimorfismo de nucleotídeo único comum
(SNP) ocorre dentro do gene COMT (rs4680). O SNP é uma substituição de adenina
por guanina na sequência de DNA (ou seja, uma única mudança de letra). Essa
mudança na sequência de DNA é traduzida em duas sequências de aminoácidos
diferentes na proteína COMT: a adenina produz uma valina (Val), mas a guanina
produz uma metionina (Met) na posição 158 da cadeia de aminoácidos
da proteína COMT (ou seja, Val158Met). O alelo 158Met
está associado a uma redução de até três a quatro vezes na atividade enzimática
da COMT (Lotta et al., 1995), portanto, presumivelmente uma quebra de dopamina
mais lenta e níveis de dopamina aumentados no PFC (Chen et al., 2004). O alelo
Val158, que é inversamente associado a níveis de dopamina
relativamente baixos no PFC, tem sido associado à diminuição do desempenho
cognitivo em adultos saudáveis (Egan et al., 2001), bem como aumento do
risco de esquizofrenia, especialmente na interação com o uso de cannabis
por adolescentes (Caspi et al., 2005). O papel do polimorfismo Val158Met
na modulação da cognição e do risco de esquizofrenia foi revisado
extensivamente em outros lugares (Dickinson e Elvevag, 2009; Savitz, Solms, e
Ramesar, 2006; Tan, Callicott, e Weinberger, 2009). Aqui, nos concentramos nos
efeitos relativamente menos estudados do COMT Val158Met na função
cerebral relacionada à recompensa.
Embora a COMT seja expressa principalmente no
PFC, com níveis de expressão muito mais baixos no estriado (Chen et al., 2004;
Gogos et al., 1998; Huotari et al., 2002; Matsumoto et al., 2003), o
polimorfismo COMT Val-158Met pode afetar a sinalização da dopamina
estriatal indiretamente. Consistente com os efeitos inibitórios da dopamina
pré-frontal na transmissão de dopamina estriatal (Bilder et al., 2004; Cools,
2008), estudos têm mostrado que o alelo Val158, que presumivelmente resulta em
dopamina pré-frontal reduzida, está de fato associado a aumento da síntese e
liberação de dopamina em regiões subcorticais, como o estriado (Akil et al.,
2003; Meyer-Lindenberg et al., 2005). Apesar das associações entre o alelo
Val158 e o aumento da síntese de dopamina estriatal, no entanto, estudos de
imagem genética que investigam os efeitos do COMT Val158Met na
reatividade estriatal não têm consistentemente associado este alelo ao aumento
da reatividade estriatal para recompensar, com alguns estudos mostrando a
associação oposta.
Talvez mais notavelmente, dois estudos BOLD
fMRI independentes ligaram o alelo 158Met a uma ativação relativamente elevada
do VS durante a antecipação da recompensa em uma tarefa de jogo (Dreher, Kohn,
Kolachana, Weinberger e Berman, 2009; Yacubian et al., 2007). Consistente com
estudos anteriores ligando a reatividade do VS relacionada à recompensa ao
aumento da impulsividade (Forbes et al., 2009), esta associação é confirmada no
nível comportamental: 158 portadores do alelo Met (isto é, indivíduos portando
pelo menos uma cópia do alelo 158Met) mostram maior desconto de atraso, em
comparação com os homozigotos Val158 (ou seja, indivíduos portando duas cópias
do alelo Val158; Paloyelis, Asherson, Mehta, Faraone, e Kuntsi, 2010). Os
estudos de desconto de atraso normalmente quantificam a preferência de um
indivíduo por recompensas menores disponíveis imediatamente em vez de
recompensas que são maiores, mas atrasadas no tempo. Um desconto de atraso mais
alto está associado ao aumento da sensibilidade à recompensa e impulsividade
comportamental, normalmente observada em indivíduos com sistemas de recompensa
hiperativos (Forbes et al., 2009; Hariri et al., 2006). A associação entre o
alelo 158Met e o retardo na contagem é, portanto, consistente com um fenótipo
de sinalização dopaminérgica elevada.
Juntamente com esses dados convergentes de
neuroimagem e comportamentais, sugerindo que o 158Met está associado
a traços e comportamentos relacionados à recompensa, estudos adicionais
sugeriram que o alelo Val158 pode de fato contribuir para aumentos
em outros aspectos da função cerebral relacionada à recompensa.
Especificamente, os homozigotos Val158 mostraram exibir uma
reatividade VS relativamente aumentada para ganhos monetários inesperadamente
altos em um paradigma de jogo, em comparação com os homozigotos 158Met (Camara
et al., 2010). Além disso, outro estudo associou o alelo Val158 ao
aumento da flexibilidade da tomada de decisão no contexto de mudanças nas
contingências de recompensa (Krugel, Biele, Mohr, Li, e Heekeren, 2009).
Esses resultados aparentemente conflitantes
podem, de fato, sugerir uma modulação genética mais ajustada da resposta do VS
a estímulos positivos dependentes da magnitude e previsibilidade da recompensa,
em que o alelo 158Met está associado a uma reatividade mais robusta
a recompensas em um ambiente estável, enquanto o alelo Val158 está
associado a um aprendizado de recompensa mais eficiente no contexto de mudanças
nas contingências de recompensa (isto é, maior flexibilidade comportamental).
Essa noção é pelo menos parcialmente consistente com a hipótese apresentada por
Bilder et al. (2004) a respeito do papel do COMT Val158Met na
regulação da atividade da dopamina fásico-tônica. De acordo com essa hipótese,
o alelo Val158, que está associado a níveis mais baixos de dopamina
pré-frontal, provavelmente está ligado à diminuição da atividade tônica e
aumento da atividade da dopamina estriatal fásica, em relação ao alelo 158Met
(Bilder et al., 2004). A ligação entre o alelo Val158 e o aumento da
flexibilidade no contexto de mudanças nas contingências de recompensa, conforme
delineado pelos estudos acima (Camara et al., 2010; Marco-Pallares et al.,
2009), é, portanto, consistente com o papel da dopamina fásica na aprendizagem
de recompensa, em que a atividade da dopamina fásica constitui um erro de
previsão de recompensa que presumivelmente dispara a codificação de novas
contingências de recompensa (Schultz, 2002).
Transportador de dopamina (DAT SLC6A3)
Outra proteína com papel fundamental na
regulação da neurotransmissão da dopamina é o transportador da dopamina (DAT,
codificado pelo gene SLC6A3). O DAT se liga à dopamina após sua liberação na
fenda sináptica e facilita sua recaptação no neurônio pré-sináptico. Assim, o
DAT ajuda a regular a duração e a intensidade das respostas pós-sinápticas às
entradas dopaminérgicas e o pool pré-sináptico de dopamina disponível (por meio
da reciclagem). Ao contrário da COMT, que regula o metabolismo da dopamina
principalmente no PFC (Gogos et al., 1998; Huotari et al., 2002), a DAT é
expressa predominantemente no corpo estriado, onde desempenha um papel crucial
na modulação da sinalização da dopamina (Lewis et al., 2001; Sesack, Hawrylak,
Matus, Guido, e Levey, 1998; Wayment, Schenk, e Sorg, 2001). Assim, seria de se
esperar que polimorfismos que resultassem em níveis relativamente reduzidos de
DAT resultassem em recaptação de dopamina menos eficiente e, consequentemente,
reatividade do sistema de recompensa relativamente aumentada e comportamentos
relacionados à recompensa.
Uma sequência de 40 pares de bases (bp) é
repetida um número variável de vezes dentro da região 3 'não traduzida (UTR) do
gene SLC6A3, resultando em um polimorfismo de repetição em tandem[1] de número variável
(VNTR) (DAT1) caracterizado por alelos de comprimentos variando de 3 a 13
repetições. Entre eles, os alelos de repetição de 9 e 10 ocorrem com mais
frequência na maioria das populações mundiais estudadas (Doucette-Stamm,
Blakely, Tian, Mockus, e Mao, 1995; Kang, Palmatier e Kidd,
1999; Mitchell et al., 2000). Mesmo que o 3'UTR esteja fora da sequência
codificadora principal do gene, polimorfismos dentro desta região podem afetar
a expressão e função do gene, alterando a interação do gene com vários
inibidores e intensificadores da transcrição, bem como alterando as
modificações pós-transcricionais. Embora nem todos os estudos tenham encontrado
um efeito do genótipo VNTR de 40 pb DAT1 na expressão de DAT (Martinez et al.,
2001; Mill, Asherson, Craig, e D'Souza, 2005), vários estudos relacionaram a
repetição do alelo 9 para redução da disponibilidade de DAT in vitro
(Arinami, Gao, Hamaguchi, e Toru, 1997; VanNess, Owens, e Kilts, 2005) e in
vivo (Cheon, Ryu, Kim, e Cho, 2005; Heinz et al., 2000), o que
provavelmente levaria a uma recaptação menos eficiente de dopamina e aumento da
reatividade do sistema mesocorticostriatal através do aumento da dopamina
sináptica. Consistente com esta noção, indivíduos carregando pelo menos uma
cópia do alelo de 9 repetições de baixa expressão demonstraram ter reatividade
de VS aumentada ao feedback positivo em um paradigma de fMRI de adivinhação de
número, em relação a indivíduos homozigotos para 10 - repetir alelo (Forbes et
al., 2009). É importante ressaltar que a reatividade de VS relativamente
aumentada, conforme medido pelo mesmo modelo, por sua vez, foi associada a
maior impulsividade disposicional e desconto de atraso mais acentuado (Forbes
et al., 2009; Hariri et al., 2006).
Além de modular a reatividade do circuito de
recompensa, o DAT1 40-bp VNTR também regula aspectos importantes da interface
neural entre o controle motivacional e cognitivo (Aarts et al., 2010). A fim de
avaliar os efeitos da função cerebral relacionada à recompensa na flexibilidade
cognitiva, juntamente com o papel modulador adicional do genótipo DAT1, um
estudo recente utilizou um paradigma de fMRI de troca de tarefa de atenção em
que foi bem-sucedido (ou seja, rápido o suficiente e correto). As respostas
recebiam recompensas monetárias variáveis, cuja magnitude era apresentada no
início de cada tentativa para induzir a expectativa de recompensa. Os
portadores do alelo de 9 repetições DAT1 exibiram maior influência da
recompensa antecipada nos custos de troca de tarefas comportamentais, bem como
aumento da atividade do estriado dorsomedial durante a troca de tarefas em
antecipação a uma recompensa alta em relação a baixa. Esses resultados não
apenas demonstram a ampla gama de efeitos modulatórios do genótipo DAT1 no
circuito de recompensa, mas também fornecem evidências do envolvimento da
sinalização de dopamina estriatal na regulação de processos de controle
cognitivo flexível de ordem superior sensíveis a mudanças no estado
motivacional (Aarts et al., 2010).
Receptores
de dopamina
Além da degradação enzimática e dos
mecanismos de recaptação, a sinalização da dopamina também depende criticamente
das propriedades dos receptores de dopamina. Existem duas classes principais de
receptores de dopamina: receptores semelhantes a D1, que têm funções
principalmente excitatórias e incluem receptores de dopamina D1 e D5; e
receptores semelhantes a D2, que são primariamente inibitórios e incluem os
receptores de dopamina D2, D3 e D4 (Beaulieu e Gainetdinov, 2011). À luz dessas
propriedades do receptor, as variantes genéticas associadas com o aumento da
expressão ou função de D1-like ou diminuição da expressão ou função de
D2-like receptores seriam esperados para resultar em aumento da
sinalização de dopamina. Receptores da classe D2-like foram estudados
mais extensivamente em relação aos fenótipos comportamentais e neurais
relacionados ao processamento de recompensa, bem como aos efeitos moleculares,
celulares, neurais e comportamentais de polimorfismos comuns em genes que
codificam para esses receptores. Assim, nos concentramos nesta classe de
receptores de dopamina em nossa revisão.
Os receptores da dopamina D2, codificados
pelo gene DRD2, são mais densamente expressos no VS, onde estão localizados
tanto pré quanto pós-sinápticamente (Beaulieu e Gainetdinov, 2011). Esses
receptores existem em duas isoformas distintas, curta (D2S) e longa (D2L), que
são expressas principalmente pré e pós-sináptica, respectivamente (Giros et
al., 1989; Monsma, McVittie, Gerfen, Mahan, e Sibley, 1989). O D2S
pré-sináptico funciona como um auto receptor e é parte de um mecanismo
regulador de feedback negativo da sinalização da dopamina, enquanto o D2L
medeia a inibição pós-sináptica. Estudos genéticos de nocaute mostraram que D2L
também pode atuar sinergicamente com o receptor D1 excitatório (Usiello et al.,
2000). À luz das evidências que mostram a co-localização dos receptores D2 e D1 nos mesmos neurônios estriados (Aizman et al., 2000; Surmeier, Song, e Yan, 1996), o sinergismo
observado pode resultar de mecanismos intracelulares que permitem a interação e
regulação cruzada das vias de transdução de sinal ativadas por D1 e D2.
Devido à funcionalidade multifacetada e ampla
expressão de receptores D2, estudos de imagem humana in vivo normalmente
não proporcionaram a capacidade de determinar com certeza suficiente a isoforma
DRD2 expressa, bem como a população celular específica que medeia quaisquer
efeitos de DRD2 sobre funcionamento estriado. Devido a essas limitações, os
estudos de imagem genética sobre os efeitos das variantes genéticas de DRD2 na
função estriatal às vezes produziram resultados conflitantes. No entanto,
percepções úteis podem ser obtidas a partir do corpo considerável de pesquisas
que investigam esses efeitos.
Consistente com o efeito inibitório da
sinalização do receptor D2 na neurotransmissão da dopamina, alguns estudos de
genética de imagem ligaram polimorfismos resultando em expressão de DRD2
relativamente reduzida à reatividade aumentada do VS. Especificamente, o alelo
de exclusão (Del) de um polimorfismo de inserção/exclusão de um ponto
(rs1799732) que ocorre dentro da 5-UTR de DRD2, frequentemente denominado
DRD2-141C, foi associado a uma redução de até 78% na expressão de DRD2
estriatal in vitro (Arinami et al., 1997) e aumento da reatividade VS
para feedback positivo no mesmo paradigma BOLD fMRI de estimativa de
número que ligou o alelo de 9 repetições DAT1 ao aumento da reatividade
relacionada à recompensa (Forbes et al., 2009).
Outro polimorfismo DRD2 comumente estudado é
o Taq1A (rs1800497), que está localizado na repetição adjacente da anquirina e
no domínio da quinase contendo um gene (ANKK1) e provavelmente afeta a função
do DRD2 apenas indiretamente. Seus dois alelos, T (A1) e C (A2), foram associados
à disponibilidade relativamente diminuída e aumentada do receptor D2,
respectivamente (Jonsson et al., 1999; Pohjalainen et al., 1998). O alelo C foi
associado ao aumento do metabolismo da glicose estriatal (Noble, Gottschalk,
Fallon, Ritchie, e Wu, 1997) e reatividade à recompensa (Stice, Spoor, Bohon, e
Small, 2008). Esse padrão pode refletir um efeito específico do DRD2 Taq1A nos
receptores pós-sinápticos D2 localizados nos interneurônios inibitórios do
ácido gama-aminobutírico (GABA), que modulam a função estriatal pela inibição
dos neurônios espinhosos do meio glutamatérgico. Assim, o alelo C pode resultar
no aumento da inibição mediada pela dopamina dos interneurônios GABAérgicos,
levando à desinibição dos neurônios espinhosos do meio excitatório e, portanto,
em última análise, aumento da reatividade do VS medida com fMRI.
Alternativamente, estudos recentes sugerem que o polimorfismo DRD2 Taq1A pode
não afetar a sinalização da dopamina, mas sim "marcar" (ou seja,
estar fisicamente ligado a) dois SNPs DRD2 associados à expressão diferencial
das isoformas D2S e D2L (Moyer et al., 2011; Zhang et al., 2007).
Curiosamente, um estudo de genética de imagem
mostrou que um desses SNP (rs1076560) marcado pelo Taq1A modera os efeitos da
dopamina estriatal na função cognitiva mediada por PFC (Bertolino et al.,
2010). Especificamente, o estudo demonstrou que os participantes homozigotos
para o alelo G mais comum exibiram uma relação positiva entre a ativação do PFC
durante uma tarefa de memória de trabalho e a sinalização da dopamina
estriatal, conforme indexado por uma pontuação de fator levando em consideração
os efeitos combinados de D2S e D2L. Os participantes com uma cópia do alelo
menos comum mostraram o padrão oposto, em que a sinalização estriada mais alta
foi associada à redução da ativação do PFC relacionada à memória de trabalho
(Bertolino et al., 2010). Como os próprios autores apontam, a interpretação
desses resultados no nível do circuito e dos sistemas é composta pela baixa
resolução da metodologia de imagem que eles usaram (tomografia computadorizada
de emissão de fóton único; SPECT) e a incapacidade intrínseca de quaisquer
ferramentas de neuroimagem humana in vivo atualmente disponíveis para
discriminar entre as populações celulares. Embora estudos futuros combinando
pesquisa de modelo animal não humano com neuroimagem humana sejam necessários
para oferecer uma interpretação neuroanatômica e fisiológica precisa desses
achados, esses resultados indicam que os receptores D2 são reguladores críticos
da dopamina estriatal e desempenham um papel importante não apenas no
processamento de recompensas, mas também em processos cognitivos mais amplos.
Receptor de dopamina D4 (DRD4)
Similarmente ao receptor D2, o receptor D4 da
dopamina, codificado pelo gene DRD4, medeia tanto a regulação dos
autorreceptores quanto a inibição pós-sináptica da sinalização da dopamina. Ao
contrário do DRD2, no entanto, o DRD4 exibe sua expressão relativamente baixa
no estriado (Jaber, Robinson, Missale, e Caron, 1996) e os níveis de expressão
mais baixos no cérebro de todos os receptores de dopamina (Beaulieu e
Gainetdinov, 2011; Rondou, Haegeman, e Van Craenenbroeck, 2010). No entanto,
dados preliminares sugerem que o receptor D4 é expresso pós-sinapticamente em
neurônios estriados, bem como pré-sinapticamente em aferentes glutamatérgicos
do PFC para o estriado (Jaber et al., 1996; Missale, Nash, Robinson, Jaber, e
Caron, 1998; Tarazi, Campbell, Yeghiayan e Baldessarini, 1998). Assim, a
estimulação do receptor D4 pode inibir a função estriatal direta ou
indiretamente, por meio de um ou de ambos os mecanismos independentes. Com base
nesses dados de localização, as variantes genéticas associadas a níveis mais
elevados de função D4 provavelmente resultarão em maior inibição mediada por
dopamina dos neurônios-alvo pós-sinápticos e redução da reatividade estriatal.
Um VNTR comum de 48 pb dentro do exon 3 de
DRD4 resulta em alelos de comprimento diferente (variando de 2 a 11
repetições), associados com a transcrição diferencial do gene e função da
proteína (Asghari et al., 1995). Especificamente, o alelo de 7 repetições foi
associado à redução da sensibilidade do receptor D4 e à redução da inibição
pós-sináptica (Asghari et al., 1995). Consistente com o papel inibidor dos
receptores D4 na dopamina estriatal, o alelo de 7 repetições também foi
associado à maior reatividade do VS ao feedback positivo (Forbes et al., 2009).
Finalmente, em linha com seus supostos efeitos neuroquímicos, o mesmo alelo foi
associado a uma maior abordagem de recompensa no nível comportamental (Roussos,
Giakoumaki, e Bitsios, 2010). Tomados em conjunto, esses achados demonstram
que, apesar de seus níveis de expressão relativamente baixos no estriado, o
DRD4 desempenha um papel importante na regulação da reatividade do sistema
mesocorticostriatal e os comportamentos associados a ele.
Resumo
e direções futuras
Nos últimos anos, o campo da genética de
imagens combinou com eficácia a genética molecular e as ferramentas de
neuroimagem para mapear a variabilidade gerada pela genética na química do
cérebro em diferenças individuais na função e no comportamento do cérebro
(Hariri, 2009). Entre os estudos de genética de imagens de cognição e emoção,
um corpo considerável de pesquisas tem se dedicado a descobrir os correlatos
neurogenéticos de comportamentos relacionados à recompensa. A pesquisa sobre a
base neural do processamento de recompensas tem se baseado amplamente em
hipóteses biologicamente informadas sobre o papel da dopamina nos processos
neurais relacionados à recompensa, formulados com base em descobertas de
neurofisiologia animal ou estudos laboratoriais in vitro (ex., Arinami
et al., 1997; Wang et al., 2004). Embora existam exceções notáveis, as
variantes genéticas que resultam no aumento da sinalização da dopamina, seja
por meio da função do receptor excitatório relativamente aumentada, redução da
inibição pós-sináptica ou diminuição da degradação enzimática ou depuração
sináptica, foram geralmente previstas e consideradas , resultam em funções
cerebrais relacionadas à recompensa aprimoradas e fenótipos comportamentais
consistentes com o aumento da sensibilidade à recompensa (Forbes et al., 2009;
Nikolova, Ferrell, Manuck, e Hariri, 2011). Por outro lado, as variantes
associadas à redução da sinalização da dopamina geralmente se correlacionam com
uma redução relativa na função cerebral relacionada à recompensa e nos
comportamentos associados a ela.
Os princípios ilustrados pelos estudos
revisados acima podem, e têm sido amplamente aplicados a outros fenótipos neurais e comportamentais relativos à cognição e emoção. Por exemplo, as variantes genéticas associadas ao aumento da sinalização da serotonina (5-hidroxitriptamina [5-HT])
foram associadas ao aumento da reatividade da amígdala à ameaça; um fenótipo
neural fortemente associado a ansiedade-traço; bem como o risco e a
fisiopatologia dos transtornos de humor e ansiedade (Fakra et al., 2009; Hariri
et al., 2002). Uma variante genética que afeta a enzima amida hidroxilase de
ácido graxo (FAAH 385A, rs324420) e presumivelmente resultando em aumento da
neurotransmissão endocanabinoide foi associada à diminuição da reatividade
cerebral relacionada à ameaça, mas ao aumento da recompensa (Hariri et al.,
2009 ), o que é notavelmente consistente com a associação desse polimorfismo
com o risco de transtornos por uso de substâncias (Flanagan, Gerber, Cadet,
Beutler, e Sipe, 2006; Sipe, Chiang, Gerber, Beutler, e Cravatt, 2002).
Variantes genéticas associadas à sinalização aprimorada do glutamato foram,
independentemente ou em interação com variantes genéticas que afetam outros
sistemas de neurotransmissores, associadas à função de memória aprimorada
(Jablensky et al., 2011; Tan et al., 2007). É importante ressaltar que, como
evidenciado pelos estudos acima, o mesmo sistema de neurotransmissor
frequentemente regula mais de um fenótipo neural, e cada fenótipo neural é
regulado por vários sistemas de neurotransmissores.
Esta multiplicidade de efeitos entre
neurotransmissores e fenótipos é complementada por uma multiplicidade de
variantes genéticas dentro de cada sistema de neurotransmissor que pode afetar
cada fenótipo individual. Embora a maioria dos estudos genéticos de
processamento de recompensas conduzidos até o momento e pesquisados aqui se concentrem em genes ou polimorfismos únicos, como outros fenômenos comportamentais complexos, o
processamento de recompensas é moldado por uma infinidade de influências genéticas, que agem em conjunto para
criar neurônios e, em última análise, fenótipos comportamentais. Embora vários
estudos tenham investigado as interações epistáticas entre dois loci
genéticos e seus efeitos nos processos neurais relacionados à recompensa
(Dreher et al., 2009; Yacubian et al., 2007), a função cerebral relacionada à
recompensa é provavelmente moldada pelo impacto simultâneo de muitas outras
variantes genéticas. Em apoio a esta noção, um estudo recente demonstrou que um
perfil genético fundado biologicamente para a sinalização de dopamina, com base
em cinco dos loci polimórficos revisados aqui
(COMT Val158Met, DAT1 40-bp VNTR, DRD4 48-bp VNTR, DRD2-141C Ins/Del e DRD2
Taq1A), explica quase 11% da variabilidade na reatividade do VS, enquanto
nenhum dos loci tomados individualmente explica qualquer variância da
reatividade do VS, após a correção apropriada para testes múltiplos (Nikolova
et al., 2011). Esse achado ressalta a importância de levar em consideração o
impacto simultâneo de vários loci ao investigar os correlatos genéticos
de fenótipos neurais e comportamentais complexos.
Além de fornecer informações sobre as origens
da variabilidade interindividual nos fenômenos neurológicos e comportamentais
relativos à cognição e emoção, as abordagens genéticas também podem promover
uma compreensão mecanista aprimorada dos fundamentos biológicos básicos desses
fenômenos entre os indivíduos. Polimorfismos com efeitos específicos para uma região
ou função neural podem ser aproveitados para permitir a dissecção genética dos
processos componentes desses fenótipos complexos. Por exemplo, COMT Val158Met
e DAT1 40-bp VNTR podem ser usados para modelar os
efeitos diferenciais da dopamina nos componentes de cima para baixo e de baixo
para cima do processamento de recompensas, respectivamente. O COMT Val158Met
afeta a sinalização da dopamina diretamente apenas no PFC, onde a transmissão
da dopamina desempenha um papel central na regulação dos processos de controle
cognitivo de cima para baixo. Consequentemente, COMT Val158Met
parece estar preferencialmente envolvido na modulação cognitiva do
processamento de recompensas. Especificamente, os estudos mostraram que, ao
contrário dos polimorfismos que afetam a dopamina estriatal diretamente, o
genótipo COMT Val158Met modera a capacidade de adaptar com
flexibilidade a aprendizagem baseada em recompensa no contexto de mudanças nas
contingências de recompensa (Frank, Moustafa, Haughey, Curran, e Hutchison, 2007).
O VNTR DAT1 de 40 pb, por outro lado, tem efeitos específicos na transmissão da
dopamina apenas no corpo estriado e, portanto, provavelmente está mais
diretamente envolvido na regulação do impulso emocional de baixo para cima. Não
surpreendentemente, o VNTR de 40 bp DAT1 demonstrou regular os padrões de
reatividade do VS, que se correlacionam com a impulsividade de traço e o
desconto de atraso (Forbes et al., 2009), mas não foi diretamente relacionado à
modulação cognitiva desses fenômenos.
Vale a pena notar, no entanto, que assim como
os efeitos da sinalização de dopamina pré-frontal e estriatal no processamento
de recompensa, a transmissão de dopamina e os efeitos de processamento de
recompensa atribuíveis a COMT Val158Met e DAT1 VNTR de 40 bp não são
completamente dissociáveis. Na verdade, conforme revisado anteriormente no
capítulo, COMT Val158Met foi associado a diferenças na reatividade estriatal
(Dreher et al., 2009; Yacubian et al., 2007) e DAT1 40-bp VNTR tem a capacidade
de modular a interface neural entre controle motivacional e cognitivo (Aarts et
al., 2010). No entanto, a dissociação genética parcial dessas vias componentes
do processamento de recompensas promoveu uma melhor compreensão dos mecanismos
moleculares precisos que fundamentam esse fenômeno neural e comportamental
complexo.
Como exemplificado pelo estudo da regulação
dopaminérgica de circuitos neurais para recompensa, as abordagens
neurogenéticas emergentes começaram a mapear a variabilidade gerada
geneticamente na química do cérebro para a variabilidade na função cerebral e,
em última análise, traços comportamentais, produzindo insights sobre as
origens da diversidade do comportamento em humanos. Os genes que regulam vários
neurotransmissores têm sido implicados em várias funções cognitivas e afetivas,
com múltiplas variantes dentro desses genes afetando a variabilidade nesses
mesmos fenótipos neurais e comportamentais. Além de facilitar o progresso em
mecanismos de variabilidade interindividual na função cerebral
comportamentalmente relevante, as abordagens neurogenéticas prometem avançar
ainda mais no tratamento e na possível prevenção da psicopatologia por meio da
identificação de trajetórias individuais de risco que representam novos alvos
terapêuticos.
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[1] Tandem:
repetições no mesmo sentido (nas quais o início de uma repetição ocorre
imediatamente adjacente ao final de outra. [NT].


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